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O beato Fulton Sheen, por Alan Ferreira

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Fulton John Sheen (nascido Peter John Sheen; El Paso, 8 de maio de 1895 – Nova Iorque, 9chatgpt-image-25-de-set-de-2026-19_57_52 de dezembro de 1979) foi um bispo norte-americano (mais tarde arcebispo) da Igreja Católica.

O Beato, em tudo que realizou, todas as suas pregações, todos os seus livros, todas as suas meditações, tem por base, por primeiro, a vida de oração. Mas não era uma vida de oração cômoda, ou meramente para cumprir um preceito.  Era, de fato, um encontro todos os dias com o nosso Senhor na Palavra e na Eucaristia. Todavia, para ele encontrar- se com Jesus era parte crucial de seu dia, horas, momentos, tempo diante do Sacrário, ouvindo a Nosso Senhor, que é a base de todo o seu apostolado. Ouvir o Cristo que fala, e por consequência receber inúmeras graças dEle. É um convite para todos nós. Devemos sempre nos encontrar com a pessoa de Cristo, que é a base da nossa vida.  Porque ao encontrar o Senhor, Sheen, apreendeu e compreendeu que quando o encontramos de fato o Senhor deixa uma marca indelével em nossa vida.

Um segundo ponto de reflexão essencial, à luz da vida do Beato Fulton Sheen, é a clareza. Refiro-me à compreensão profunda de que tudo na nossa existência é uma ação contínua da Providência, que deseja a salvação de todo o gênero humano. Não se pode analisar a vastidão das suas obras seja em livros, homilias, meditações ou nos seus programas de televisão, que brilharam como um farol para toda a cristandade. Aqui é possível estabelecer um paralelo com a luminosidade do pensamento de Santo Tomás de Aquino.

A clareza de Sheen é, fundamentalmente, escatológica; ela conduz a alma do ouvinte a aspirar e a desejar o Céu. Tal característica é magnífica e própria daquela alma que encontrou o Senhor e quer comunicar a todos o tesouro que encontrou.  Sheen realizou este múnus de forma magistral e sobrenatural. Ao ler e meditar as suas obras, percebo a mesma precisão do tomismo: a clareza em comunicar a beleza e a graça do Evangelho.

O seu objetivo constante era conduzir as almas ao encontro com Cristo. Muitas pessoas que tiveram as suas vidas transformadas após entrarem em contato, direto ou indiretamente, com Sheen não o fizeram por causa dele, mas, por meio do seu apostolado, encontraram Jesus Cristo e, ao encontrá-Lo, permitiram que Ele desse um vigor e esperança na vida eterna com Deus, para sempre.

Podemos citar, como exemplo, a escritora Bella Dodd, que, após alguns encontros com Fulton Sheen, converteu-se e transformou sua vida. Contudo, essa mudança não ocorreu apenas pela figura de Sheen, mas pela beleza do encontro que ele mantinha com o Senhor. Portanto, é impossível falar sobre Sheen sem mencionar a beleza do encontro daquele que encontrou o seu Amor pleno: nosso Senhor Jesus Cristo. Também não se pode falar dele sem mencionar seu apostolado nos meios de comunicação. Para além da sua vida de oração, que constituía o alicerce da sua existência, Sheen comunicava-se com profunda caridade cristã uma caridade fundamentada na verdade. Longe de ser um artifício para encobrir erros, partia da premissa de que todo o seu zelo visava conduzir as pessoas ao encontro, como está escrito no evangelho de São João capítulo 14 Não se turbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim.

  Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vo-lo teria dito. Vou preparar um lugar para vós. Depois que eu tiver ido e vos tiver preparado um lugar, virei novamente e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, estejais vós também. E vós conheceis o caminho para ir onde eu vou. Tomé disse-lhe: “Senhor, nós não sabemos para onde vais; como podemos saber o caminho?” Jesus disse-lhe: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vai ao Pai senão por mim. (cf. Jo 14,1-6)

Essa unidade entre caridade e verdade era o pilar de seu ministério sacerdotal e episcopal. O seu propósito primordial, ao alcançar o público por meio das mídias, era levar a todos o conhecimento da Verdade, que possui um nome: Jesus Cristo. Essa Verdade, ao revelar-se, guia-nos e orienta-nos. Fulton Sheen vivenciava essa virtude com tamanha entrega que dedicava longas horas ao preparo meticuloso de seus programas, palestras e entrevistas, sempre com o intuito de despertar nas pessoas o amor ao Senhor.  Há uma beleza extraordinária nessa postura, própria das almas virtuosas que compreendem a caridade alicerçada na verdade como um autêntico caminho de santificação. Para nós, que atuamos na comunicação, Sheen deixa uma lição valiosa: somos chamados a exercer não uma caridade omissa, mas uma caridade ativa, que promove o encontro genuíno com o Senhor. O exemplo do beato nos recorda da necessidade de investir tempo e dedicação para evangelizar com excelência. Como comunicadores católicos, somos convidados a mergulhar nesta caridade divina que nos transcende e nos torna instrumentos para alcançar tantas almas que anseiam conhecer o Evangelho.

Acredito que resida aí a verdadeira beleza do Beato Fulton Sheen: uma formosura que se manifesta conforme o Magistério da Igreja, centrada na essência do encontro. Ao encontrar-se com Jesus, o Beato experimentou uma transformação profunda, ecoando o que nos propõe o Documento de Aparecida, n.º 278, a).  a) O Encontro com Jesus Cristo: Aqueles que serão seus discípulos já o buscam (cf. Jo 1,38), mas é o Senhor quem os chama: “Segue-me” (Mc 1,14; Mt 9,9). É necessário descobrir o sentido mais profundo da busca, assim como é necessário propiciar o encontro com Cristo que dá origem à iniciação cristã.  A trajetória de Fulton Sheen foi um constante encontro com o Senhor, um processo ininterrupto de santificação e de conversão do olhar, sempre sob a perspectiva da eternidade a consciência de que o céu é próximo.

Para concluir este breve artigo sobre Fulton Sheen sem a pretensão de esgotar o tema, é fundamental destacar a alegria que perpassa seus escritos e discursos. É impossível analisar a obra de Sheen sem mencionar G.K. Chesterton; a jovialidade e o entusiasmo contidos na produção do bispo norte-americano são inegáveis e guardam uma afinidade notável com o estilo do autor britânico. Tamanha é a semelhança no senso de humor sutil e na alegria própria das almas que amam a Deus. Esse humor é, na verdade, um convite que conduz o leitor e o ouvinte a um desejo profundo: encontrar a mesma beleza e o mesmo amor que transformaram a vida desses homens.

Essa alegria, presente tanto nos escritos quanto nas meditações de Sheen, manifesta-se até mesmo em momentos de maior severidade. Todavia, não se trata de uma ira mundana, mas de um zelo apostólico ardente, fruto do amor e da oração e contém o desejo ardente e continuo   que todos alcancem a plenitude do amor divino. Assim, este texto não almeja ser um estudo exaustivo, mas apenas um tributo a alguém que, por meio de uma vida de oração profunda, antecipou na terra o vislumbre do Céu.

Convém notar que esta compreensão não é exclusiva do Beato Fulton Sheen; ela ressoa em diversos autores que já mencionamos, como G.K. Chesterton e o Cardeal John Henry Newman, homens que transcenderam o seu tempo e cujas obras permanecem vivas na história da humanidade. Da mesma forma, o Beato perpetua-se hoje, elevando-se aos altares para nos exortar: vivam alegremente a sua vocação onde quer que o Senhor os tenha colocado, pois é exatamente ali que ocorre o nosso encontro com o Eterno.

Que o Beato Fulton Sheen interceda por nós em nossa caminhada cristã, para que alcancemos um encontro verdadeiro e íntimo com Nosso Senhor, aprendendo a conhecê-Lo, amá-Lo, adorá-Lo e glorificá-Lo com a totalidade de nossa existência. Que a Bem-Aventurada e sempre Virgem Maria e seu castíssimo esposo, São José, nos conduzam nesta jornada.  Que assim seja. Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo. Para sempre seja louvado.

alan

 

 

Escrito por: Alan Ferreira da Silva, membro missionário da Comunidade Mãe do Verbo Divino.

 

Fontes de pesquisa:

Bíblia Sagrada: Editora Ave Maria

Documento de Aparecida: Por ocasião da V CELAM

(Fonte: http://redelatina.marista.edu.br/)

Joseph Pearce: Sabedoria e Inocência – Vida de G. K. Chesterton, Editora Ecclesiae

São John Henry Newman: Fé e Preconceito, Editora Ecclesiae

Santo Tomás de Aquino: Questões Disputadas Sobre a Alma, Editora É Realizações (Título original: Quaestiones Disputatae de Anima, Copyright 2012 Fundación Tomás de Aquino, Pamplona, Espanha, reproduzido com autorização do titular)

Trecho Introdutório A frase inicial “Fulton John Sheen (nascido Peter John Sheen; El Paso, 8 de maio de 1895 – Nova Iorque, 9 de dezembro de 1979) foi um bispo norte-americano (mais tarde arcebispo) da Igreja Católica.” é uma cópia literal do cabeçalho da Wikipédia e de diversas páginas enciclopédicas.

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